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domingo, 15 de agosto de 2010

Marcos

Tu que carregas meu nome.
É o homem e a ruína do homem,
O começo e o meio da fome.
É o caldo que a si mesmo entorne.

Tua vida só vale para os outros.
E que outros?
São tão poucos
Os que crêem nesses teus sonhos loucos.

Tua vida há de ser severina
O teu porto de certo, a ruína
Onde o peso da dor alucina,
Sufoca, corrói, desatina

Mas teu fim pode ser de outro jeito.
O veneno é o remédio perfeito
Para arrancar-te esta angustia do peito,
Dando à terra o que é seu de direito.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ode ao fraco

Caminha só e a passos lentos, sente o corpo pesado e por isso segue arfando. Duvidas e culpa ofuscam seus pensamentos. Dos velhos erros, agora sem conserto, quase nada sabe. O caminho que escolheu é longo e assim como todos os outros não o levará a lugar algum. Ao longe só as imagens da vida que o deixou para trás e o doce som dos que o ajudaram a se tornar o que é agora. – Tenha sorte na vida, ela disse antes de partir. E ele agora imagina que grande sorte seria estar mais perto do fim. Pouco nasceu, ou pouco o fizeram? Do abismo ele se aproxima, do abismo ele se joga. Sente-se leve. Cantem ao fraco pois teve coragem na hora da morte.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cotidiano

Toda manhã a mesma coisa
Eu fito espelho e ele me mostra
A mesma massa disforme
E então me diz
Que hoje não há ninguém
E que retorne amanhã,
Pois talvez amanhã,
Mas hoje nem

Toda manhã a mesma coisa
O tempo vem pedir as horas
E eu lhe digo que ainda é cedo
Ele então ri e me devora
Enquanto eu grito
Que hoje não há ninguém
E que retorne amanhã,
Pois talvez amanhã,
Mas hoje nem

Toda manhã a mesma coisa
É meu reflexo quem chora de vergonha
E me recorda dos meus sonhos
E mostra todas as ruínas dos castelos
Aonde já não há ninguém
E nem retorne amanhã,
Pois também não amanhã,
Nem nunca mais.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Memórias

Momentos, ruídos e idéias abstratas. Naufrago de um sonho, agarrado à rotina na esperança de continuar boiando. Isso é tudo que me resta, não tem foco, objetivo, ou razão de ser. Já não me resta nada.

domingo, 4 de julho de 2010

Capitulação Imposta

Não queira, não toque,
Não tente, nem pense,
Não é para você!

Não ouse dizer que acredita
Que o ofício ao qual se dedica
Riqueza irá lhe trazer

Arte não lhe sobra,
Esforços tampouco
Seu engenho é pouco
Até para você

Acorde e desista
Me suma das vistas
Pois só meu escárnio
Tem a receber

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Às Terras Inférteis

É bem verdade que muito sofri durante as estações em que caminhei por aquelas paragens, mas estaria sendo desleal aos fatos se dissesse que naquelas terras nada aprendi e nada me foi acrescentado.
Aprendi o porquê de se enterrarem os mortos, os sonhos, os amores e tudo aquilo que já não mais é. Para que odor pútrido não corroa a lembrança do tempo em que a felicidade era algo tangível.
Aprendi o porquê de se bater em retirada quando a batalha está perdida. Para não deixar escorrer entre os dedos a ultima migalha de vitalidade de um exército para quem a vitória já não povoa nem o imaginário.
E por mais surpreendente que se possa parecer, posto que era estéril o terreno, colhi daqueles roçados coisas além de minha expectativa. Desilusões, desamores, derrotas e desvidas que hoje e para sempre estarão comigo como chagas em minha alma. Oxalá o tempo que tudo corrói, consuma também estas cicatrizes.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Aos Ratos

As grandes cidades são lixeiras cheias de ratos
Onde a violência permanece forte, pobre e abundante.
Armas apontadas à minha cabeça
Por tão pouco que se pedissem eu daria.

Não, não daria!
Não daria por não saber para onde iria
Talvez para boca de uma criança maltrapilha
Talvez para os cartuchos das armas de uma quadrilha

Enigmas do sistema capitalista

O dinheiro que compra o leite e pão
É o mesmo que compra o pó e a pedra
E a arma que abate uma vigarista
É a mesma que se aponta ao pai de família

O valor da moeda cada dia mais alto
E a vida a um preço cada dia mais barato
Vale o mesmo do que a sobra em nossos pratos,
Do que o lixo que alimenta os nossos...
Ratos

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Desfaça as malas

Desfaça as malas sentimento sombrio, que a tempo habitava outras paragens. Que é chegada a hora do retorno aos recantos mais profundos de minha alma. Durou pouco o cessar-fogo entre vida e sofrimento, já partiu a ilusão de progresso. Guarde suas coisas e tire suas roupas, que eu te espero sobre a cama junto às sombras. Vem gelar minhas carnes e deixar meus olhos opacos, vem pesar como um século em meu peito, vem que as luzes a muito se apagaram. E se restar em ti alguma piedade, tira do meu peito esse pulsar que me desgraça.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ao dissabor maior de viver

De súbito compreendo os males que tenho sofrido e o porquê de escaparem por entres os dedos os restos de minha prudência.
Aconteceu que o Acaso, em um sádico momento de prazer, resolveu fazer-me passar pelos tormentos da mocidade um pouco mais tarde do que meus companheiros de sina. E por isso sinto o fustigar de sentimentos confusos que me transformam em réu da minha própria consciência e nesse julgamento insano sou duplamente condenado por cada um de meus fracassos e cada uma de minhas fraquezas.
Doem-me as mulheres que não tive e as que, inepto, perdi; doem-me os conhecimentos que não carrego e os que o tempo apagará de minha memória; doí-me a minha falta de ímpeto e junto a ela a minha ganância, essa ultima não por ser vista com maus olhos pelos homens de bom coração, mas sim por me dar sonhos desproporcionais ao pouco de gente que sou. E para além de todas essas dores, padeço ainda da incerteza do porque cá estou e da falta de um Deus que me iluda com algo melhor do que o apodrecimento da carne a que estão fadados todos os seres que por agora vivem.
Por todos esses dissabores entrego a Baco tudo o que há em mim, na esperança que alguma substância, dessas tantas que os homens criam para adoçar a vida, possa me dar alguns instantes de prazer e me subtrair algumas dezenas de anos do fardo que tenho que carregar por motivos que desconheço.

domingo, 27 de junho de 2010

Necessidades

É preciso correr junto ao tempo, não atrás dele, nem à sua frente
É preciso conhecer o mundo e reconhecer-se pequeno diante dele
É preciso saber dos limites e parar de competir com a vida
E na nossa eternidade de pouco mais de meio século,
É preciso aplacar a paixão e amar um amor de caricias mornas

Para começar

Bom... acho que vou começar um blog. Hoje é domingo e domingo foi feito para fazer esse tipo de coisa, alem disso estou precisando me forçar a escrever e acho que um blog pode ajudar...
Espero que gostem... tá, na verdade nao espero tanto