Toda manhã a mesma coisa
Eu fito espelho e ele me mostra
A mesma massa disforme
E então me diz
Que hoje não há ninguém
E que retorne amanhã,
Pois talvez amanhã,
Mas hoje nem
Toda manhã a mesma coisa
O tempo vem pedir as horas
E eu lhe digo que ainda é cedo
Ele então ri e me devora
Enquanto eu grito
Que hoje não há ninguém
E que retorne amanhã,
Pois talvez amanhã,
Mas hoje nem
Toda manhã a mesma coisa
É meu reflexo quem chora de vergonha
E me recorda dos meus sonhos
E mostra todas as ruínas dos castelos
Aonde já não há ninguém
E nem retorne amanhã,
Pois também não amanhã,
Nem nunca mais.
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Memórias
Momentos, ruídos e idéias abstratas. Naufrago de um sonho, agarrado à rotina na esperança de continuar boiando. Isso é tudo que me resta, não tem foco, objetivo, ou razão de ser. Já não me resta nada.
domingo, 4 de julho de 2010
Capitulação Imposta
Não queira, não toque,
Não tente, nem pense,
Não é para você!
Não ouse dizer que acredita
Que o ofício ao qual se dedica
Riqueza irá lhe trazer
Arte não lhe sobra,
Esforços tampouco
Seu engenho é pouco
Até para você
Acorde e desista
Me suma das vistas
Pois só meu escárnio
Tem a receber
Não tente, nem pense,
Não é para você!
Não ouse dizer que acredita
Que o ofício ao qual se dedica
Riqueza irá lhe trazer
Arte não lhe sobra,
Esforços tampouco
Seu engenho é pouco
Até para você
Acorde e desista
Me suma das vistas
Pois só meu escárnio
Tem a receber
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Às Terras Inférteis
É bem verdade que muito sofri durante as estações em que caminhei por aquelas paragens, mas estaria sendo desleal aos fatos se dissesse que naquelas terras nada aprendi e nada me foi acrescentado.
Aprendi o porquê de se enterrarem os mortos, os sonhos, os amores e tudo aquilo que já não mais é. Para que odor pútrido não corroa a lembrança do tempo em que a felicidade era algo tangível.
Aprendi o porquê de se bater em retirada quando a batalha está perdida. Para não deixar escorrer entre os dedos a ultima migalha de vitalidade de um exército para quem a vitória já não povoa nem o imaginário.
E por mais surpreendente que se possa parecer, posto que era estéril o terreno, colhi daqueles roçados coisas além de minha expectativa. Desilusões, desamores, derrotas e desvidas que hoje e para sempre estarão comigo como chagas em minha alma. Oxalá o tempo que tudo corrói, consuma também estas cicatrizes.
Aprendi o porquê de se enterrarem os mortos, os sonhos, os amores e tudo aquilo que já não mais é. Para que odor pútrido não corroa a lembrança do tempo em que a felicidade era algo tangível.
Aprendi o porquê de se bater em retirada quando a batalha está perdida. Para não deixar escorrer entre os dedos a ultima migalha de vitalidade de um exército para quem a vitória já não povoa nem o imaginário.
E por mais surpreendente que se possa parecer, posto que era estéril o terreno, colhi daqueles roçados coisas além de minha expectativa. Desilusões, desamores, derrotas e desvidas que hoje e para sempre estarão comigo como chagas em minha alma. Oxalá o tempo que tudo corrói, consuma também estas cicatrizes.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Aos Ratos
As grandes cidades são lixeiras cheias de ratos
Onde a violência permanece forte, pobre e abundante.
Armas apontadas à minha cabeça
Por tão pouco que se pedissem eu daria.
Não, não daria!
Não daria por não saber para onde iria
Talvez para boca de uma criança maltrapilha
Talvez para os cartuchos das armas de uma quadrilha
Enigmas do sistema capitalista
O dinheiro que compra o leite e pão
É o mesmo que compra o pó e a pedra
E a arma que abate uma vigarista
É a mesma que se aponta ao pai de família
O valor da moeda cada dia mais alto
E a vida a um preço cada dia mais barato
Vale o mesmo do que a sobra em nossos pratos,
Do que o lixo que alimenta os nossos...
Ratos
Onde a violência permanece forte, pobre e abundante.
Armas apontadas à minha cabeça
Por tão pouco que se pedissem eu daria.
Não, não daria!
Não daria por não saber para onde iria
Talvez para boca de uma criança maltrapilha
Talvez para os cartuchos das armas de uma quadrilha
Enigmas do sistema capitalista
O dinheiro que compra o leite e pão
É o mesmo que compra o pó e a pedra
E a arma que abate uma vigarista
É a mesma que se aponta ao pai de família
O valor da moeda cada dia mais alto
E a vida a um preço cada dia mais barato
Vale o mesmo do que a sobra em nossos pratos,
Do que o lixo que alimenta os nossos...
Ratos
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