Abra seus olhos e preste atenção
Para que entenda o que se passa com o homem sem braços
O homem sem braços seria muito, muito mesmo
Mas não tem braços
O homem sem braços faz poemas,
Sabe a solução dos mais complexos problemas,
Mas não escreve
Pois faltam braços
O homem sem braços tem as chaves
Das portas que dão para o sucesso,
Mas não as abre
Pois faltam braços
O homem sem braços tem os mapas na cabeça
Sabe a direção da paz que busca desde o berço
Mas não aponta
Pois faltam braços
O homem sem braços tem amigos
De cujos olhos vertem lágrimas,
Mas não os consola, pois para isso
Há mister braços
O homem sem braços tem o vício
Tem fogo e tem o fumo, mas não fuma
Pois faltam braços
O homem sem braços tem desejos
E mais que isso, tem a faca e tem o queijo
Só não tem braços
O homem sem braços é um mistério
E pode até ser que tenha braços
Mas não os tem
Pois falta Homem
MeioVazio
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Se Passar
Se passar haverá festa
Farra, fogos de artifício
Se passar crescerá o ego
Heróico feito de menino
Se passar haverá medo
Mãe, tem monstro no meu armário!
Se passar haverá começo
Casa nova, jaleco e talvez livro
Se passar haverá vida
Amores, mulheres e perigo
Se passar haverá bebida
Amores, mulheres e perigo
Se passar haverá término
E agora eu já sou passado
Se passar...
Não haverá amanhã
Farra, fogos de artifício
Se passar crescerá o ego
Heróico feito de menino
Se passar haverá medo
Mãe, tem monstro no meu armário!
Se passar haverá começo
Casa nova, jaleco e talvez livro
Se passar haverá vida
Amores, mulheres e perigo
Se passar haverá bebida
Amores, mulheres e perigo
Se passar haverá término
E agora eu já sou passado
Se passar...
Não haverá amanhã
domingo, 15 de agosto de 2010
Marcos
Tu que carregas meu nome.
É o homem e a ruína do homem,
O começo e o meio da fome.
É o caldo que a si mesmo entorne.
Tua vida só vale para os outros.
E que outros?
São tão poucos
Os que crêem nesses teus sonhos loucos.
Tua vida há de ser severina
O teu porto de certo, a ruína
Onde o peso da dor alucina,
Sufoca, corrói, desatina
Mas teu fim pode ser de outro jeito.
O veneno é o remédio perfeito
Para arrancar-te esta angustia do peito,
Dando à terra o que é seu de direito.
É o homem e a ruína do homem,
O começo e o meio da fome.
É o caldo que a si mesmo entorne.
Tua vida só vale para os outros.
E que outros?
São tão poucos
Os que crêem nesses teus sonhos loucos.
Tua vida há de ser severina
O teu porto de certo, a ruína
Onde o peso da dor alucina,
Sufoca, corrói, desatina
Mas teu fim pode ser de outro jeito.
O veneno é o remédio perfeito
Para arrancar-te esta angustia do peito,
Dando à terra o que é seu de direito.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Ode ao fraco
Caminha só e a passos lentos, sente o corpo pesado e por isso segue arfando. Duvidas e culpa ofuscam seus pensamentos. Dos velhos erros, agora sem conserto, quase nada sabe. O caminho que escolheu é longo e assim como todos os outros não o levará a lugar algum. Ao longe só as imagens da vida que o deixou para trás e o doce som dos que o ajudaram a se tornar o que é agora. – Tenha sorte na vida, ela disse antes de partir. E ele agora imagina que grande sorte seria estar mais perto do fim. Pouco nasceu, ou pouco o fizeram? Do abismo ele se aproxima, do abismo ele se joga. Sente-se leve. Cantem ao fraco pois teve coragem na hora da morte.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Cotidiano
Toda manhã a mesma coisa
Eu fito espelho e ele me mostra
A mesma massa disforme
E então me diz
Que hoje não há ninguém
E que retorne amanhã,
Pois talvez amanhã,
Mas hoje nem
Toda manhã a mesma coisa
O tempo vem pedir as horas
E eu lhe digo que ainda é cedo
Ele então ri e me devora
Enquanto eu grito
Que hoje não há ninguém
E que retorne amanhã,
Pois talvez amanhã,
Mas hoje nem
Toda manhã a mesma coisa
É meu reflexo quem chora de vergonha
E me recorda dos meus sonhos
E mostra todas as ruínas dos castelos
Aonde já não há ninguém
E nem retorne amanhã,
Pois também não amanhã,
Nem nunca mais.
Eu fito espelho e ele me mostra
A mesma massa disforme
E então me diz
Que hoje não há ninguém
E que retorne amanhã,
Pois talvez amanhã,
Mas hoje nem
Toda manhã a mesma coisa
O tempo vem pedir as horas
E eu lhe digo que ainda é cedo
Ele então ri e me devora
Enquanto eu grito
Que hoje não há ninguém
E que retorne amanhã,
Pois talvez amanhã,
Mas hoje nem
Toda manhã a mesma coisa
É meu reflexo quem chora de vergonha
E me recorda dos meus sonhos
E mostra todas as ruínas dos castelos
Aonde já não há ninguém
E nem retorne amanhã,
Pois também não amanhã,
Nem nunca mais.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Memórias
Momentos, ruídos e idéias abstratas. Naufrago de um sonho, agarrado à rotina na esperança de continuar boiando. Isso é tudo que me resta, não tem foco, objetivo, ou razão de ser. Já não me resta nada.
domingo, 4 de julho de 2010
Capitulação Imposta
Não queira, não toque,
Não tente, nem pense,
Não é para você!
Não ouse dizer que acredita
Que o ofício ao qual se dedica
Riqueza irá lhe trazer
Arte não lhe sobra,
Esforços tampouco
Seu engenho é pouco
Até para você
Acorde e desista
Me suma das vistas
Pois só meu escárnio
Tem a receber
Não tente, nem pense,
Não é para você!
Não ouse dizer que acredita
Que o ofício ao qual se dedica
Riqueza irá lhe trazer
Arte não lhe sobra,
Esforços tampouco
Seu engenho é pouco
Até para você
Acorde e desista
Me suma das vistas
Pois só meu escárnio
Tem a receber
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