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domingo, 15 de agosto de 2010

Marcos

Tu que carregas meu nome.
É o homem e a ruína do homem,
O começo e o meio da fome.
É o caldo que a si mesmo entorne.

Tua vida só vale para os outros.
E que outros?
São tão poucos
Os que crêem nesses teus sonhos loucos.

Tua vida há de ser severina
O teu porto de certo, a ruína
Onde o peso da dor alucina,
Sufoca, corrói, desatina

Mas teu fim pode ser de outro jeito.
O veneno é o remédio perfeito
Para arrancar-te esta angustia do peito,
Dando à terra o que é seu de direito.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ode ao fraco

Caminha só e a passos lentos, sente o corpo pesado e por isso segue arfando. Duvidas e culpa ofuscam seus pensamentos. Dos velhos erros, agora sem conserto, quase nada sabe. O caminho que escolheu é longo e assim como todos os outros não o levará a lugar algum. Ao longe só as imagens da vida que o deixou para trás e o doce som dos que o ajudaram a se tornar o que é agora. – Tenha sorte na vida, ela disse antes de partir. E ele agora imagina que grande sorte seria estar mais perto do fim. Pouco nasceu, ou pouco o fizeram? Do abismo ele se aproxima, do abismo ele se joga. Sente-se leve. Cantem ao fraco pois teve coragem na hora da morte.