Toda manhã a mesma coisa
Eu fito espelho e ele me mostra
A mesma massa disforme
E então me diz
Que hoje não há ninguém
E que retorne amanhã,
Pois talvez amanhã,
Mas hoje nem
Toda manhã a mesma coisa
O tempo vem pedir as horas
E eu lhe digo que ainda é cedo
Ele então ri e me devora
Enquanto eu grito
Que hoje não há ninguém
E que retorne amanhã,
Pois talvez amanhã,
Mas hoje nem
Toda manhã a mesma coisa
É meu reflexo quem chora de vergonha
E me recorda dos meus sonhos
E mostra todas as ruínas dos castelos
Aonde já não há ninguém
E nem retorne amanhã,
Pois também não amanhã,
Nem nunca mais.
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