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terça-feira, 29 de junho de 2010

Ao dissabor maior de viver

De súbito compreendo os males que tenho sofrido e o porquê de escaparem por entres os dedos os restos de minha prudência.
Aconteceu que o Acaso, em um sádico momento de prazer, resolveu fazer-me passar pelos tormentos da mocidade um pouco mais tarde do que meus companheiros de sina. E por isso sinto o fustigar de sentimentos confusos que me transformam em réu da minha própria consciência e nesse julgamento insano sou duplamente condenado por cada um de meus fracassos e cada uma de minhas fraquezas.
Doem-me as mulheres que não tive e as que, inepto, perdi; doem-me os conhecimentos que não carrego e os que o tempo apagará de minha memória; doí-me a minha falta de ímpeto e junto a ela a minha ganância, essa ultima não por ser vista com maus olhos pelos homens de bom coração, mas sim por me dar sonhos desproporcionais ao pouco de gente que sou. E para além de todas essas dores, padeço ainda da incerteza do porque cá estou e da falta de um Deus que me iluda com algo melhor do que o apodrecimento da carne a que estão fadados todos os seres que por agora vivem.
Por todos esses dissabores entrego a Baco tudo o que há em mim, na esperança que alguma substância, dessas tantas que os homens criam para adoçar a vida, possa me dar alguns instantes de prazer e me subtrair algumas dezenas de anos do fardo que tenho que carregar por motivos que desconheço.

Um comentário:

Anônimo disse...

nuss vc escreve mt bem ... seu nerd chato ...

te amooo =D